Nos confins do ano de 1958, o Brasil experimentava sua grande promessa de progresso. Com Garrincha, Pelé e companhia, o escrete nacional vencera invicto, e pela primeira vez, a Copa do Mundo de Futebol. Brasília era construída dia e noite, ao ritmo de milhares de acidentes de trabalho por ano. João Gilberto acabara de gravar Desafinado e consolidar o movimento da Bossa Nova.

No Rio, o técnico do Botafogo instituía férias alternadas para os jogadores durante o campeonato estadual. Em seu descanso na cidade de Coaraci, Bahia, o capitão Didi testemunhou uma enchente trágica, que inundou ruas, destruiu casas, matou moradores. O Príncipe Etíope não hesitou em arregaçar as calças do pijama para ajudar como pôde - coroando a peleja com uma fotografia de socorrentes e socorridos em posição de time com a canela n’agua.

Revoltado com o descaso das autoridades e tendo na manga o título de melhor jogador da Copa e a alcunha de Mr. Football, Didi prometia pedir pessoalmente ao Dr. Juscelino que fizesse algo por Coaraci. Resolveu também adotar e levar para o Rio de Janeiro um sobrinho de sua esposa, evitando que o garoto crescesse em um lugar onde “as autoridades não são capazes de nada”, à mercê de aguaceiros indômitos.