No dia 19 de abril de 1963, uma violenta ressaca fez com que o mar invadisse as ruas da cidade de Niterói, encobrindo o famoso trampolim de Icaraí. Construído em 1937, o trampolim viveu anos gloriosos na década de 50, quando Icaraí estava na moda e “a areia da praia marchetada de barracas, parassóis e maiôs era uma visão encantada de caleidoscópio com sua beleza multicolorida de cinturão de missangas”. Com 12 m de altura, era o picadeiro perfeito para os saltos acrobáticos dos rapazes modelados pelo halterofilismo, observados atentamente da areia pelas garotas.

Relatos da época contam que a água era limpa a ponto de se poder mergulhar e apanhar moedas na areia do fundo, e que só os intrépidos voavam de cabeça da última plataforma. Alguns pulavam empunhando um guarda-chuva velho, como que tropicalizando o surrealismo. Os menos corajosos pulavam dos primeiros andares, em pé.

Já no início dos anos 60 o trampolim ficou perigoso com a profundidade do mar diminuindo gradativamente, até que em 1964, foi finalmente dinamitado. A partir de então, a praia de Icaraí foi perdendo seus encantos e a alta contaminação da água a tornou imprópria para banho, o que não impediu que o bairro vivesse um “boom” imobiliário, a partir da construção da Ponte Rio-Niterói.